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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Dízimo do capeta, parte 2

Vi a reprise da matéria da Record dizendo o porquê da Globo querer atacar Edir Macedo. Tudo muito previsível. Falou da ligação da Globo com a ditadura, eleições no final dos anos 80 e essas coisas do capeta que todo mundo sabe que a Globo fez. E diz que a Record vem ganhando a audiência da Globo com boa programação (sic) o que despertou a "ira" da emissora carioca.

Mas o interessante, é quando a matéria entra realmente no assunto: a Record questiona como a Globo teve acesso aos documentos do Ministérios Público de São Paulo que acusam a Universal.

Pelo pouco que sei, não foi só a Globo que teve acesso, todo mundo noticiou, e a fonte oficial era o MP, e não a Globo. Ou seja, a emissora não teve acesso exclusivo, ao contrário do que a Record dá a entender.

Só que no meio disso tudo, a matéria acaba e não contrapõe os dados do Minsitério Público, que é o que realmente importa. Quem está acusando é ele.

Esperei pela próxima reportagem para ver se algo do gênero estava por vir, mas aí meu estômago embrulhou. A chamada dizia algo próximo de: "Agora vamos mostrar como a Igreja Universal do Reino de Deus aplica todo o dinheiro arrecadado em obras sociais".

Aí não dá. R$ 1,4 bi? Em obras sociais? E nada no bolso dos bispos? Como é que eles compraram mansões, carros e etc?

Claro que nem vi a reportagem. Isso não é jornalismo. Não chega nem a ser propaganda disfarçada de jornalismo. É piada, pura e simplesmente.


A guerra divina pela rede

Uma seguidora de Marcelo Tas no Twitter o pergunta:

Tas: o que vc me diz da briga entre Globo e Record?

O careca responde:

Em briga de elefante quem se machuca é a grama

Perfeito, não precisou nem de 140 caracteres. Analisou a situação com perfeição.


E agora, do Comunique-se


Líder evangélico compara Record com 'império do mal'

O pastor pentecostal da Assembleia de Deus, Silas Mafalaia, atacou a Igreja Universal do Reino de Deus, comparando a Record com um “império do mal”, informou a coluna Ooops, do UOL.

Malafaia fez um discurso de nove minutos e afirmou que a emissora exibe “todo tipo de imoralidade” e ” todo o tipo de lixo do inferno”.

Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?", declara Malafaia.

O pastor ressaltou que no passado defendeu a Record, mas que agora ela não tem nenhuma diferença da concorrente. "Lá atrás, quando eu defendi vocês, nós tínhamos um ideal, porque a outra emissora era imoral, era contra a família, e qual é a diferença hoje?".

Malafaia disse ainda que o episódio pode gerar uma “guerra contra a religião evangélica que nada tem a ver com isso”.

Nem eles se entendem. deus me livre!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A verdade é um ponto de vista

Os fatos são.

Qualquer descrição sobre eles, refletem nosso ponto de vista.

A verdade, aceita por nós, é apenas uma versão sobre os fatos.

A verdade é um ponto de vista.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E mais uma vez Sarney mente

Foto: Wilson Pedrosa / AE

Em seu discurso de quase 50 minutos, ontem, no Senado, o seu amigo José Sarney conseguiu um recorde: falar o maior número de besteiras no menor espaço de tempo. Nunca ninguém no Senado conseguiu o que Sarney conseguiu ontem. E olha que lá a briga por esse recorde é feia.

Claro que esse negócio de recorde é brincadeira, mas como aponta reportagem do jornal O Estado de São Paulo dessa quinta-feira, "O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou confundir os senadores no seu discurso ontem em plenário. Durante os 48 minutos em que apresentou sua defesa para as denúncias contra ele no Conselho de Ética, cometeu uma série de deslizes".

E continua:

"Num jogo de palavras, misturou duas investigações da Polícia Federal para insinuar que as gravações divulgadas pelo Estado no dia 22 de julho - em que ele negocia a nomeação do namorado da neta - poderiam ter sido montadas. Os áudios publicados no jornal são autênticos, do começo ao fim de cada telefonema, sem edição, e a voz de Sarney é real".

E isso é só o começo moçada. A reportagem que pode ser vista na íntegra aqui, transcreve frase por frase do discurso do ex-futuro ex-presidente do Senado e destaca aquelas afirmações que são falsas. Olha um exemplo bonito. Sarney disse:

"Aguentei 12 mil greves, sem que nunca tivesse pedido um dia de prontidão militar, e crescemos, àquele tempo, a números que até hoje não se repetiram. Criamos uma sociedade democrática que, num sistema de capilaridade, penetrava em todas as camadas".

O jornal comenta: "Em 1988, quando os metalúrgicos de Volta Redonda (RJ) entraram em greve e ocuparam a Companhia Siderúrgica Nacional, o então presidente Sarney enviou o Exército para reprimi-los. No conflito, três jovens operários foram mortos e 31 saíram feridos".

Impressionante a cara de pau do seu amigo né? O mais legal da reportagem é o título: "Discurso de Sarney manipula dados". Isso aí Estadão, sem aliviar.

Já no outro lado...

Na Folha On-line, a reportagem que também fala sobre o discurso do bigodudo, tem a seguinte manchete: "Sarney nega atos ilícitos e vê campanha para desestabilizá-lo; leia íntegra do discurso". A capa do jornal nas bancas tem a manchete: "Sarney obtém 1ª vitória no Senado".

Parabéns Folha de São Paulo. Na ditadura ficou do lado deles, enquanto o Estadão colocava receita de bolo e Os Lusíadas na primeira página. Agora o tem como colunista e usa umas manchetes bem simpáticas quando ele é o assunto. E o texto que segue não chega nem perto da verdade. Assim você vai longe Folha! Longe da moral e da ética no jornalismo.


Foto: Celso Junior / AE

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Novos rumos do jornalismo


Um dos artigos mais completos sobre os novos rumos do ensino do jornalismo:


Esse aqui é o blog do autor do artigo, Victor Barone: http://escrevinhamentos.blogspot.com/

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Aula de jornalismo no YouTube

O YouTube criou o The YouTube Reporters' Channel, um canal que mostra vídeos com dicas de como usar as novas e velhas ferramentas da profissão para apurar e transmitir as informações.

Fiquei sabendo pelo blog do Tiago Doria, que considerou a inicitaiva um avanço. Para ele, "Simplesmente fornecer espaço para a audiência enviar conteúdo e participar da produção de conteúdo de nada adianta muito. É necessário melhorar a qualidade dessa participação". Concordo inteiramente. Mas acho que o ponto mais importante ele não abordou. Vamos lá.

Jornais estão fechando, a internet está transformando receptores de informação em transmissores de informação e estudar em uma faculdade de jornalismo não é mais necessário para excercer a profissão. E no meio disso tudo, o que essse canal do YouTube é? A faculdade de jornalismo 2.0, dos jornalistas não diplomados, que no caso, é qualquer um que tenha acesso a um computador.

No profile do canal, essas pessoas são chamadas de "Citizen reporters on YouTube", os cidadãos repórteres. Parece que o jornalista, antes no esteriótipo: chapéu, bloco e caneta na mão quando na rua e uma máquina de escrever à sua frente quando na redação, se confunde cada vez mais com o gordinho nerd que não sai da internet. Isso não é ruim, na verdade é ótimo. Sempre é bom lembrar o caso do Irã. A imprensa foi proibida, mas os cidadãos, munidos de celulares com câmeras, blogs e twitters, mostram o que acontecem, estão ao lado dos fatos transmitindo o que veem.

Mas vale salientarmos uma diferença básica: o cidadão comum tem todas as ferramentas para flagrar um episódio e mostrá-lo. No entanto, isso não faz dele um jornalista. Esse sujeito da mídia, com seu chapéu, bloco de notas e máquina de escrever, sabe como transformar o flagrante em uma notícia, indicando dados complementares, mostrando os vários lados da questão, deixando os fatos claros para o receptor e acima de tudo, apurando cuidadosamente as informações.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ainda o diploma...

A discussão ainda está longe de acabar. Parece que no Curso de Comunicação da UFJF todos os professores contestam a decisão do STF. Realmente os ministros, e principalmente Gilmar Mendes, foram infelizes nas justificativas que deram em favor de suas decisões. Mas sem querer, acabaram acertando e contribuiram para o avanço do jornalismo. Pelo menos é o que defende o jornalista e professor Carlos Castilho. Ele escreveu um belo artigo defendendo o fim da obrigatoriedade do diploma. "O fim da obrigatoriedade do diploma não significa o fim do jornalismo" é o título. Leia no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?ID={6290464C-A330-41D1-BDDE-42F7EE83C966}&id_blog=2&msg2=2

Nos comentários, muitos não concordaram, uns até com argumentos tão descabidos quanto os dos ministros. Eu, por minha vez, concordei com Castilho. Não podemos adivinhar o futuro, mas parece que a decisão do STF pode ser acertada, mesmo que eles nem façam ideia do porquê.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O que significa o diploma

Será que ninguém enxerga que essa "obrigatoriedade do diploma" foi sempre para inglês ver? Não jornalistas sempre povoaram as redações. Agora isso só se torna oficial. Na prática, pouca coisa vai mudar. Não há razão para lamentações. Os problemas que virão com a extinção da exigência do diploma, não são maiores dos que já existiam com a sua obrigatoriedade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Bye, bye diploma

A maioria dos ministros do Superior Tribunal Federal votaram contra a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista. Dos 11, compareceram 9. Os contrários, totalizando 8: Gilmar Mendes (relator do recurso contra o diploma), Carmem Lúcia, Lewandowiski, Eros Graus, Carlos Ayres Britto, Cézar Pelus, Ellen Gracie e Celso de Melo.

A favor do diploma: Marco Aurélio Mello.

Os ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão.

"Esse decreto é mais um entulho do autoritarismo da ditadura militar que pretendia controlar as informações e afastar da redação dos veículos os intelectuais e pensadores que trabalhavam de forma isenta". Ministro Lewandowski

"Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão". Ministro Gilmar Mendes

"Minha sina é divergir" + "Penso que o jornalista deve ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional que repercute na vida dos cidadãos em geral". Ministro Marco Aurélio Melo

Artigo em que Luiz Antônio Magalhães defende a decisão do STF:

Artigo em que Alberto Dines reprova a decisão do STF:

terça-feira, 16 de junho de 2009

Diploma de jornalismo


Amanhã, dia 17 de junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar a obrigatoriedade de se ter o diploma de jornalismo para exercer a profissão.

Os dois lados, contra e a favor, tem bons argumentos. E nem os jornalistas em si formam um consenso. Uma rápida olhada no
Observatório da Imprensa é suficiente para vermos o debate cada vez mais quente. Seja lá como for, amanhã teremos uma definição da suprema corte.

Eu
, como estudante de jornalismo e futuro dono de um canudo, vejo os dois lados: quem tem diploma é porque passou por uma faculdade. Estudou e vivenciou as nuances da profissão. Desde aulas de ética, antropologia e sociologia, até estágios, provas e trabalhos. É de se pensar que essa pessoa está mais apta a exercer a profissão do que qualquer outra.

Do outro lado
, vejo os que não tem o bacharelado de jornalismo, mas são iguais ou melhores dos que tem. Exemplo caseiro: Rafael Grohmann, amigo da universidade e estudante de ciências sociais. Ele é uma das pessoas das quais conheço que mais entende da teoria do jornalismo, e porque não, de sua prática. Fez várias matérias na Faculdade de Comunicação da UFJF e comprovou isso. Outro antigo estudante de ciências sociais, Juca Kfouri, hoje é um dos jornalistas esportivos mais respeitados do Brasil.

Sorte minha não ter que resolver a questão, fica por conta dos nossos ministros, escolhidos para estudar minuciosamente o assunto e escolher por nós. Seja qual for a decisão, uma coisa não muda: mesmo sem a obrigatoriedade do diploma, quem for bom terá sempre seu lugar.

PS: Engraçado que na Faculdade de Comunicação da UFJF, uma das melhores do país, nenhuma discussão esteja sendo levantada. Palestras? Mesas redondas? Panfletos explicativos? NADA. De novo. Sempre foi assim. As coisas acontecendo e a minha faculdade olhando o bonde passar, como se não estivesse dentro dele. É rapaziada, não se fazem mais D.As como antigamente.

sábado, 13 de junho de 2009

Blog da Petrobrás

O Nada DiNovo é a favor da decisão do Blog da Petrobrás em publicar na íntegra as entrevistas feitas pela mídia.


. Esse é o blog:

. Essa é a explicação sobre o que a Petrobrás está fazendo em seu blog:

. Isso é o que pensa a grande mídia sobre as ações do blog:
(Note os comentários, todos favoravéis à Petrobrás)

. O que disse o Ombudsman da Folha de São Paulo em relação ao caso (Coluna de domingo, 14 de junho):

. Um artigo com o qual concordo. Ele ainda abrange outras questões importantes relacionadas à guerra entre grande mídia e blogs

UPTADE: O Blog da Petrobrás desistiu de publicar as perguntas dos jornalistas antes que a matéria fosse publicada. Agora, perguntas e respostas só entram no blog mais ou menos às 0h01do dia em que a reportagem é publicada. Desse modo, a discussão se acalma. Decisão acertada da Petrobrás, apesar de ser discutível se o jeito antigo era errado. Acho que não totalmente. É bom a grande mídia tomar um "sacode", para ver que estamos em uma nova era, em que a informação não é só dela. Pode não parecer, mas a maior parte das emissoras de TV, revistas e jornais do Brasil ainda se acham donas da verdade, como se ela fosse somente uma.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Watergate

Bob Woodward e Carl Berstein ganharam o Pulitzer pelas reportagens do caso Watergate. A história da investigação virou livro (escrito pelos dois) e filme. A política e a imprensa americana nunca mais foram as mesmas depois da reportagem.

Mas passados 30 anos, esse jornalismo impecável ainda seria possível? Quem responde é Leonard Downie Jr., Editor do Washington Post, o jornal em que Bob e Carl escreveram suas reportagens históricas:

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/12/19/AR2008121902928.html