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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Aula de jornalismo no YouTube

O YouTube criou o The YouTube Reporters' Channel, um canal que mostra vídeos com dicas de como usar as novas e velhas ferramentas da profissão para apurar e transmitir as informações.

Fiquei sabendo pelo blog do Tiago Doria, que considerou a inicitaiva um avanço. Para ele, "Simplesmente fornecer espaço para a audiência enviar conteúdo e participar da produção de conteúdo de nada adianta muito. É necessário melhorar a qualidade dessa participação". Concordo inteiramente. Mas acho que o ponto mais importante ele não abordou. Vamos lá.

Jornais estão fechando, a internet está transformando receptores de informação em transmissores de informação e estudar em uma faculdade de jornalismo não é mais necessário para excercer a profissão. E no meio disso tudo, o que essse canal do YouTube é? A faculdade de jornalismo 2.0, dos jornalistas não diplomados, que no caso, é qualquer um que tenha acesso a um computador.

No profile do canal, essas pessoas são chamadas de "Citizen reporters on YouTube", os cidadãos repórteres. Parece que o jornalista, antes no esteriótipo: chapéu, bloco e caneta na mão quando na rua e uma máquina de escrever à sua frente quando na redação, se confunde cada vez mais com o gordinho nerd que não sai da internet. Isso não é ruim, na verdade é ótimo. Sempre é bom lembrar o caso do Irã. A imprensa foi proibida, mas os cidadãos, munidos de celulares com câmeras, blogs e twitters, mostram o que acontecem, estão ao lado dos fatos transmitindo o que veem.

Mas vale salientarmos uma diferença básica: o cidadão comum tem todas as ferramentas para flagrar um episódio e mostrá-lo. No entanto, isso não faz dele um jornalista. Esse sujeito da mídia, com seu chapéu, bloco de notas e máquina de escrever, sabe como transformar o flagrante em uma notícia, indicando dados complementares, mostrando os vários lados da questão, deixando os fatos claros para o receptor e acima de tudo, apurando cuidadosamente as informações.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ainda o diploma...

A discussão ainda está longe de acabar. Parece que no Curso de Comunicação da UFJF todos os professores contestam a decisão do STF. Realmente os ministros, e principalmente Gilmar Mendes, foram infelizes nas justificativas que deram em favor de suas decisões. Mas sem querer, acabaram acertando e contribuiram para o avanço do jornalismo. Pelo menos é o que defende o jornalista e professor Carlos Castilho. Ele escreveu um belo artigo defendendo o fim da obrigatoriedade do diploma. "O fim da obrigatoriedade do diploma não significa o fim do jornalismo" é o título. Leia no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?ID={6290464C-A330-41D1-BDDE-42F7EE83C966}&id_blog=2&msg2=2

Nos comentários, muitos não concordaram, uns até com argumentos tão descabidos quanto os dos ministros. Eu, por minha vez, concordei com Castilho. Não podemos adivinhar o futuro, mas parece que a decisão do STF pode ser acertada, mesmo que eles nem façam ideia do porquê.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O que significa o diploma

Será que ninguém enxerga que essa "obrigatoriedade do diploma" foi sempre para inglês ver? Não jornalistas sempre povoaram as redações. Agora isso só se torna oficial. Na prática, pouca coisa vai mudar. Não há razão para lamentações. Os problemas que virão com a extinção da exigência do diploma, não são maiores dos que já existiam com a sua obrigatoriedade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Bye, bye diploma

A maioria dos ministros do Superior Tribunal Federal votaram contra a exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista. Dos 11, compareceram 9. Os contrários, totalizando 8: Gilmar Mendes (relator do recurso contra o diploma), Carmem Lúcia, Lewandowiski, Eros Graus, Carlos Ayres Britto, Cézar Pelus, Ellen Gracie e Celso de Melo.

A favor do diploma: Marco Aurélio Mello.

Os ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão.

"Esse decreto é mais um entulho do autoritarismo da ditadura militar que pretendia controlar as informações e afastar da redação dos veículos os intelectuais e pensadores que trabalhavam de forma isenta". Ministro Lewandowski

"Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão". Ministro Gilmar Mendes

"Minha sina é divergir" + "Penso que o jornalista deve ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional que repercute na vida dos cidadãos em geral". Ministro Marco Aurélio Melo

Artigo em que Luiz Antônio Magalhães defende a decisão do STF:

Artigo em que Alberto Dines reprova a decisão do STF:

terça-feira, 16 de junho de 2009

Diploma de jornalismo


Amanhã, dia 17 de junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar a obrigatoriedade de se ter o diploma de jornalismo para exercer a profissão.

Os dois lados, contra e a favor, tem bons argumentos. E nem os jornalistas em si formam um consenso. Uma rápida olhada no
Observatório da Imprensa é suficiente para vermos o debate cada vez mais quente. Seja lá como for, amanhã teremos uma definição da suprema corte.

Eu
, como estudante de jornalismo e futuro dono de um canudo, vejo os dois lados: quem tem diploma é porque passou por uma faculdade. Estudou e vivenciou as nuances da profissão. Desde aulas de ética, antropologia e sociologia, até estágios, provas e trabalhos. É de se pensar que essa pessoa está mais apta a exercer a profissão do que qualquer outra.

Do outro lado
, vejo os que não tem o bacharelado de jornalismo, mas são iguais ou melhores dos que tem. Exemplo caseiro: Rafael Grohmann, amigo da universidade e estudante de ciências sociais. Ele é uma das pessoas das quais conheço que mais entende da teoria do jornalismo, e porque não, de sua prática. Fez várias matérias na Faculdade de Comunicação da UFJF e comprovou isso. Outro antigo estudante de ciências sociais, Juca Kfouri, hoje é um dos jornalistas esportivos mais respeitados do Brasil.

Sorte minha não ter que resolver a questão, fica por conta dos nossos ministros, escolhidos para estudar minuciosamente o assunto e escolher por nós. Seja qual for a decisão, uma coisa não muda: mesmo sem a obrigatoriedade do diploma, quem for bom terá sempre seu lugar.

PS: Engraçado que na Faculdade de Comunicação da UFJF, uma das melhores do país, nenhuma discussão esteja sendo levantada. Palestras? Mesas redondas? Panfletos explicativos? NADA. De novo. Sempre foi assim. As coisas acontecendo e a minha faculdade olhando o bonde passar, como se não estivesse dentro dele. É rapaziada, não se fazem mais D.As como antigamente.